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Encontrei a felicidade, maldita esta. Sorria sempre, chorava pouco ainda, quase nem molhava o rosto. Acordava, mas o sol não nascia. Decidi correr mais para longe, o alvo se distanciava cada vez mais. Eu não me importava, estava feliz. Corri. Cheguei.
O mundo começou a pedir pagamento, não paguei. Meu cheque estava em branco. Sempre esteve. Como fazer, o que fazer? Correr para Ti, não! Não podia ainda... Era cedo, ou tarde demais. Escolhi a
segunda opção. Gastei tudo que eu tinha, até a mim mesma. Estava só.
Confesso o quão obscuro foi passar esse tempo sem Ti. Me recusei a te ouvir, eu estava com os olhos vendados. Não tinha mais teus braços, tuas mãos, tua proteção. Julguei-me forte. Talvez eu aguentasse a dor, talvez. A minha fome por experimentar do mundo me fez te esquecer. Consegui fazer o que eu queria, "viver" da forma que eu achava correta. Hoje paro e penso o tempo que perdi.
Escrevi uma carta, lá continha as minhas lágrimas, as minhas falhas e o meu pedido. Meus lábios trêmulos chamavam o Teu nome. Era minha única saída. Você me ouviu. Comecei a crer numa nova vida.
Quase enlouqueço. Hoje sou livre, completamente sarada. Você me lembrou do que eu era, e do que eu deveria ser, me resgatou e me colocou no colo. Posso viver, de novo.
(Lucas 15)

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